sábado, 20 de outubro de 2012

Poço sem fundo.


O que fazes quando te cansas de falhar? Quando te cansas de dizer a ti mesma que és forte? Quando chegas à conclusão de que só te estás a enganar a ti mesma? 
O que fazes ao veres todas as tuas expectativas desmoronarem mesmo debaixo do teu nariz? Porque nada pode correr bem? Estarás privada de felicidade? Será que dás o teu máximo? 
Só te vêm perguntas à cabeça... Como dás a volta por cima? Fechas-te na casa-de-banho e choras até à exaustão... Lavas a cara, sais e ages como se estivesse tudo normal. Mas não está, atingiste o limite, chegaste ao fundo. Mas que fundo? Já pensaste tanta vez ter chegado a esse fundo, porém há sempre mais um patamar a descer. Dizem que quando se chega ao fundo do poço não se pode descer mais e, por isso, a partir daí é só subir. Mas então e se o fundo a que chegamos é pouco seguro, bambo e instável? Acaba sempre por descer com o peso e nunca tem fim a sua descida? Como fazes para subir? Pedes a um amigo para te lançar uma corda? Agarras-te à parede? Ou deixas-te cair mais uma vez e vais pelo rumo da coisa? Talvez... Estás cansada, já não tens força... Mesmo que tentes subir vais encontrar lodo na parede do poço e escorregar novamente para o fundo que nunca pára de descer.
Há coisas intermináveis.. No teu caso, é a descida que é interminável. Resta-te a esperança de encontrar uma brecha ao longo dessa descida. E, caso a encontres, terás coragem de te aventurar por ela e procurar a saída? Terás força para mudar esse destino que só te faz descer? A brecha aparece diante de ti... De difícil acesso, mas a única salvação. Que vais fazer? Deixar-te ficar para trás e continuar a descer porque tens medo do que irás encontrar do outro lado da brecha? 
Não te deixes levar pela rotina monótona dessa descida... Aventura-te... Talvez encontres um novo motivo para tentar subir. 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Os amigos são o maior tesouro que temos.

A manhã decorria normalmente. A Sara acordou cedo para a sua corrida matinal, chegou a casa, tomou duche e foi comprar pão com a mãe. Chegaram a casa e o pai estava na cama como de costume.

- Sara, anda aqui depressa! - gritou a mãe.
- O que é que foi? Agora não posso.
- Passa-se alguma coisa com o teu pai, tentei acordá-lo e ele não acorda, anda aqui por favor.

A Sara foi ao quarto dos pais, olhou para a mesa de cabeceira e viu uma caixa vazia de comprimidos de paracetamol.
- Mãe chama uma ambulância, o pai tomou aqueles comprimidos todos.

A ambulância chegou e levou-os para o hospital. Durante a viagem, a Sara repensou em todas as discussões que havia tido com o pai, pensou em tudo o que lhe tinha dito e, sobretudo, pensou nas últimas palavras que lhe disse na noite anterior: "A última coisa que quero é ser como tu." Olhou para o lado, a mãe estava a chorar. Ela detestava ver a mãe chorar, sentiu-se impotente e um tanto ao quanto culpada pelo que o pai tinha feito.
Pouco depois recebeu uma mensagem do Ricardo.

- Olá amor!!
- Olha não estou muito bem agora... Depois falamos desculpa.

Assim que soube que o pai iria ficar bem, mandou mensagem ao Ricardo a contar o que se tinha passado e a desculpar-se pela resposta que lhe tinha dado. Conversaram acerca da maneira como ela tratava o pai e por fim ele reconfortou-a dizendo que o importante era que ele iria ficar bem e tudo não havia passado de um susto, uma oportunidade para ela repensar e corrigir a maneira como o tinha tratado até então.
No Sábado seguinte, o médico deu-lhe alta. Foram os três para casa dos amigos de São Vicente e a Sara aproveitou para estar com o Ricardo. O dia decorreu normalmente, e ela, pela primeira vez ao fim de muitos anos, não se sentia incomodada com a presença do pai, sentia-se aliviada e grata por ter a oportunidade de mudar a relação que partilhava com ele. Tinha noção de que não seria fácil, mas estava disposta a dar tudo por tudo para que as coisas entre eles fluíssem de forma diferente.



Já tinha passado mais de uma semana desde que tinha estado com o Ricardo e, para piorar a situação, as discussões nunca tinham sido tão constantes nem a frieza tão eminente. A Sara começou a habituar-se a ausência dele, não que o amasse menos ou não quisesse estar com ele, apenas custava menos a cada dia que passava. As discussões ajudavam, a frieza também fazia com que ela tivesse menos vontade de o procurar para conversar. Nos últimos dois dias, salientou-se um decréscimo da ansiedade que costumava sentir para a chegada da hora em que ele chegava a casa e finalmente podiam falar, o vazio estava definitivamente a diminuir a pouco e pouco e até os dias custavam menos a passar. 
Neste dia em particular, as horas passaram a correr, mesmo sem que ela tenha feito nada de especial. Acordou, viu uns episódios de Suburgatory (uma das dezenas de séries que ela acompanhava) e saiu para correr ao fim da tarde. Porém, quando finalmente ele chegou a casa e puderam conversar, ela não pôde deixar de sentir um aperto sufocante no peito com a falta de vontade de falar demonstrada pelo Ricardo. "Não há nada que possa fazer em relação a isto", pensou e foi ver o filme The Notebook pela terceira vez. De repente, pausou o filme e caiu na realidade. Dentro de poucas horas os pais estariam a entrar no avião para irem para Londres e só se voltariam a ver no Natal, ou seja, daí a 6 meses. 6 meses! Se apenas 3 já lhe tinham custado tanto... Novamente, tentou falar com o Ricardo, desta vez para desabafar e em busca de algum conforto. Não adiantou muito sobre o que estava a sentir, apenas disse que seria um dia complicado e que seria dificil ver os pais partir. 
- Não vás ao aeroporto então. - disse ele.
- Se não for a minha mãe fica triste.
- Então não te queixes.
- Não me estava a queixar.
- Hum ok.

E parou por ali a conversa. A Sara ficou com a sensação de que estava a incomodar o Ricardo, portanto partilhou tudo o que lhe ia na cabeça com um amigo que estava presente sempre que era necessário.

- Amanhã vai ser um dia complicado para mim... Muito complicado mesmo.
- Então porquê? - perguntou o Filipe
- É amanhã que os meus pais vão para Londres e vai imensa família ao aeroporto, só volto a estar com eles no Natal.
- Tenho exame à tarde, mas logo que possa estarei cá para ti.

Assim que as lágrimas secaram, ela tentou puxar conversa com o Ricardo, mais uma vez, agora com assuntos mais banais, no entanto, o clima tenso e gelado manteve-se. Eram quase 3 da manhã, por isso ela chegou a conclusão de que não valia a pena continuar ali a esforçar-se para falar com ele, ele não iria facilitar nada.  No entanto, a Sara não se foi deitar ansiosa e perturbada como nos outros dias, mas sim calma, pois já sabia exatamente com quem podia contar após a partida dos pais, e com a certeza de que mesmo que batesse no fundo do poço, estaria lá o Filipe para a puxar de volta à superfície, tendo como pensamento de fim de dia "os amigos são o maior tesouro que temos".




Aqui digo-te, Filipe, obrigada por existires, obrigada por tudo o que fizeste por mim, obrigada por todas as vezes que me ouviste e aconselhaste e obrigada por fazeres questão de marcar presença na minha vida! Mil e um obrigadas não chegavam, por isso resta pedir-te desculpa se alguma vez não estive presente para ti da maneira que sempre estás para mim, és das pedras mais preciosas do meu baú :)

(continua)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Dúvidas, quem não as tem?

Passados quinze dias deu-se a dolorosa despedida. Sim, dolorosa é a palavra certa... 
Abraçados em frente à porta do prédio da Sara, lágrimas percorriam-lhe a face... Quando voltaria a vê-lo novamente? 
Passaram-lhe todos os cenários pelo pensamento, tudo o que poderia correr mal em cinco meses de distância ou mais. Sim, o mais provável era correr tudo mal... Ela não o queria largar, não o queria perder... Rapidamente ele afastou-se dela, já não aguentava mais aquela tortura, virou as costas e não voltou a olhar  para trás. Ela ficou a vê-lo partir encostada ao portão, com o coração destroçado. Faltavam-lhe até forças para subir as escadas.
Assim que ele desapareceu, ela sentou-se na escadaria, baixou a cabeça e chorou até não lhe sobrar uma única lágrima. Finalmente subiu, movida apenas por obrigação. Chegou ao 3º andar e encostou a cabeça à porta, respirou fundo e recompôs-se, não queria que os pais a vissem assim. Não dormiu toda a noite e quando deu por si já eram sete horas.

Nenhuma outra viagem da Madeira para Vila Real custara-lhe tanto. Chegou ao aeroporto de Sá Carneiro onde o João, amigo de longa data, estava à sua espera como de costume, mas esta vez fora diferente. Ela mal falou, pela primeira vez não conseguiu disfarçar o seu estado de espírito. Foi calada durante a viagem de metro inteira, ele tentou animá-la fazendo algumas brincadeiras, mas nada conseguia fazer a Sara feliz, acabou esboçando um pequeno sorriso apenas por simpatia.


- Custa-me ver-te assim e não poder fazer nada... Esse rapaz nem sabe a sorte que tem em ter-te assim apaixonadíssima por ele. - disse o João.
A Sara baixou a cabeça e deixou escorrer uma lágrima pela bochecha.
- Não fiques assim pequenina, logo logo estão juntos. Agora deixa-me ver o teu lindo sorriso.
- Sabes... Se ele precisasse de oxigénio eu deixava de respirar.


Chegou a Vila Real mais desorientada que nunca, deixou a mala encostada à cama, atirou-se para cima desta, pôs as mãos à cabeça e deu um grande suspiro.
"Como vou fazer dois testes depois de tudo isto? Como vou aguentar estar aqui sozinha? Como vou estudar com a cabeça neste estado? É muita coisa, não consigo estudar isto tudo, estou farta disto não quero estar aqui!"
A Sara, como já seria de esperar, começou a stressar, sentia-se fraca e mais uma vez desistiu do semestre... 
Falou com o Ricardo no Skype e comprou uma viagem para a Madeira datada para o dia seguinte.
Sentia-se insegura... As certezas de uma vida inteira começaram a desvanecer. 
"Será que quero mesmo ser Veterinária? Nunca vou conseguir acabar este curso..."
Falta de motivação, tristeza, inseguranças, quem consegue estudar assim?
Faltava-lhe o carinho dos pais, do Ricardo, o cheiro do mar pela manhã, o calor do Sol todos os dias...

Acordou, fez a mala, pôs outras coisas em outras malas e encostou-as à parede para já ficarem preparadas - estava mesmo decidida e não tencionava voltar a Vila Real. Decisão tomada por influência do fracasso, pela incapacidade de ultrapassar obstáculos e pela sua tendência natural de desistir de tudo o que é complicado.
Chegou a hora de apanhar o autocarro para o Porto. Estava um dia péssimo em Vila Real, chuva, vento, frio, o que ainda influenciou mais a decisão precipitada da Sara. Sentia-se feliz por deixar aquele sítio horrível e voltar ao Sol. 
Novamente, no Porto, o João esperava-a, incansável como sempre, acompanhou-a até ao aeroporto. Estava triste, achava que seria a última vez que a iria ver, uma vez que ela pensava entrar em Psicologia na Universidade da Madeira. Ela, por outro lado, estava radiante e não conseguia esconder isso.
Na altura do check in a bagagem excedia o peso permitido, mais uma vez, estava lá o João para acudir a Sara, guardando na sua mochila alguns dos cremes que faziam mais peso.
- Agora quando te devolvo isto tudo?
- Tonto, ainda cá volto daqui a um mês ou dois para trazer o resto das malas.

Enquanto esperavam pela hora de entrar na porta de embarque, ele disse:
- Esta pode ser a última vez que te vejo.
- Ainda somos muito novos...
- O tempo voa, Sara. Estás a ver este aeroporto? Não se compara às saudades que vou ter de ver o teu sorriso.
- És mesmo tonto!
- Posso-te abraçar?
- Claro que sim.

Chegara a hora de ir para junto da porta de embarque e o João acompanhou-a e levou-lhe a mala até onde pôde. 
- Boa viagem pequenina.
Quando se afastou, a Sara reparou que escorriam-lhe algumas lágrimas pelo rosto. 
SMS: "Adoro-te". Ela acho aquilo tudo um pouco estranho por isso fingiu que não ouviu e seguiu radiante para a porta.

O avião estava atrasado cerca de duas horas, a gata não parava de miar e uma dor de cabeça terrível começou a atormentar a Sara... Assim que se lembrou de tirar a camisola para a envolver, a Saphyra calou-se e adormeceu, entraram no avião e seguiram viagem para a ilha.

Estiveram juntos dois dias depois. No fim da tarde, a Sara fez referência às dúvidas que lhe atormentavam o pensamento.
- Estás no curso que queres, tens um namorado fantástico, tens tudo e estás sempre a reclamar. - de tudo o que o Ricardo disse, isto foi o que lhe ficou na cabeça.

Quando chegou a casa a Sara esteve a conversar com a mãe. Nada como a compreensão e o carinho da nossa mãe em momentos difíceis e de incerteza. 
- Estive a falar com o Ricardo sobre isso... Ele normalmente não fala muito sobre essas coisas porque não gosta de ouvir as pessoas se lamentarem, mas quando fala, apesar de meio bruto, às vezes diz o que é preciso ouvirmos... - disse a Sara. 
Contou a conversa com o Ricardo à mãe e ela disse-lhe num tom sábio e carinhoso:
- Ele tem razão filha... Sabes... Às vezes temos as oportunidades na nossa mão, só precisamos de fechá-la, porque se deixarmos a mão aberta elas voam apenas com um pequeno sopro. No entanto, é uma decisão que só te diz respeito a ti. Eu não estudei porque não pude, mas tu estás a ter essa oportunidade.

(continua.)


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Mãe é Mãe.

Mãe 
Mais uma vez partiste e mais uma vez doeu………..
Custou-me tanto ver-te partir, deixar-te ir e não te poder obrigar a ficar.
Sem ti, o meu coração vai doer, lágrimas vão banhar o meu rosto e um grande vazio tomará conta do meu mundo………vou esperar cada minuto por saber de ti, por cada mensagem, por cada telefonema. Porque te amo muito e sinto a tua falta, que estes meses passem depressa.
Tenho o telemóvel junto de mim, aguardando desesperadamente que ele toque.
Conto cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia, cada semana, cada mês!
Sinto tanto a tua falta, as saudades apertam muito no meu peito. Antes de ires já a saudade me atormentava 
Sinto saudade da tua presença, de te ouvir, da tua doçura, do teu olhar, da tua ternura, do teu sorriso, dos teus gestos…..
Partes, acenas e……….. a angústia começa……….
Tempo sem te ver…….
Até a próxima vez……… 
Por um lado é bom e fico feliz por estares bem, pois trata-se do teu futuro!


Oh mãe... Não imaginas o que me custa, a mim, todas as férias ir embora e deixar tudo para trás... Toda a gente... Deixar aqueles que marcaram presença constante na minha vida durante 18 anos e ir para uma cidade que detesto. O último aceno sai sempre com um sorriso forçado para pensares que estou bem, quando na verdade estou a morrer por dentro, com o coração tão apertado que se torna difícil respirar. Mas como dizes, é o meu futuro. Custa, cada dia custa. É estar rodeada de pessoas e sentir-me completamente só. O simples facto de acordar de manhã e não ouvir a tua voz custa e quando as saudades apertam nem estudar consigo... Sei que nunca vais ler isto, e ainda bem, sei que não te posso mostrar se não ficarias ainda pior, assumi este fardo quando decidi vir para cá estudar e sei que terei de aguentá-lo sozinha... Posso desabafar com muita gente, podem tentar ajudar, mas ninguém compreende, é impossível compreenderem o que é deixar para trás tudo aquilo que nos é querido e familiar. Onde irei buscar força para aguentar 5 anos ou mais? Não sei... A ti não poderá ser. Sempre foste o meu resguardo, sempre procurei refúgio em ti quando tudo parecia desmoronar... Mas agora tenho eu que ser o teu, mostrar-me forte mesmo quando as forças estão esgotadas e privar-te de mais problemas, já te chegam os que fomos adquirindo ao longo dos anos. Quero tanto falar contigo neste momento, mas sei que estás a dormir e ligar-te lavada em lágrimas só te faria sofrer mais. Sinto-me completamente desamparada e não sei a quem recorrer... 
Preciso tanto de ti quanto tu de mim, és a minha maior amiga, a única que sei que me irá amparar independentemente da altura da queda, sei que estarás lá porque melhor mãe que tu não há! Amo-te mãe.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Um pequeno à parte




Este não foi escrito por mim, encontrei no ainanas, mas achei fantástico, penso que vocês também o vão achar :)

"Ela não te vai estar sempre a falar no face e a dizer que sentiu a tua falta. Mas se calhar vai entrar de 10 em 10 segundos, até tu lhe dizeres algo. Ela também não te vai estar sempre a ligar ou a mandar mensagens, porque tem medo de se tornar chata, mas responde-te sempre. 

Ela não vai chegar do nada e abraçar-te à frente de todos os teus amigos, ela vai esperar até que no meio das conversas, tu apenas passes o braço pela cintura dela com um certo carinho. 

Ela não vai estar sempre a seguir-te, nem vai estar sempre a olhar para ti mas quando precisares mesmo, ela irá ser a única que tu vais encontrar com um ombro para chorares, e no fim, não vai querer nada em troca a não ser o teu bem-estar.

E quando chegar a hora da despedida, dá-lhe um beijo na testa. E quando ninguém à volta estiver a ver, sussurra-lhe palavras no ouvido. Olha bem nos olhos dela, porque vão estar radiantes !

Mas não esperes que ela diga que te ama porque ela não o fará. Provavelmente, a única maneira de ela o demonstrar será gozando contigo, a dizer que nunca viu ninguém tão chato como tu, e depois irá rir-se .

E se ela fizer isso, parabéns, acabaste de ganhar o seu coração."